Experiencias parentales relacionadas con la comunicación sobre sexualidad con niños y adolescentes autistas: un estudio cualitativo

Introdução: A sexualidade é parte essencial do desenvolvimento humano e deve ser abordada de forma ampla, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais. No entanto, quando se trata de crianças e adolescentes autistas, a temática permanece permeada por tabus, silêncios e desinformação, especialmente no contexto familiar. Nesse cenário, a comunicação sobre sexualidade no contexto familiar com filhos autistas revela-se um campo delicado, ainda pouco explorado e, por vezes, negligenciado. Objetivo: Interpretar as experiências relacionadas à comunicação sobre sexualidade relatadas por cuidadores primários de crianças e adolescentes autistas. Metodologia: Estudo qualitativo, com abordagem narrativa, fundamentado na Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner. A pesquisa foi conduzida em dois países, Brasil e Espanha, com adaptações metodológicas conforme o contexto local. No Brasil, o recrutamento dos participantes ocorreu de forma presencial, por meio de associações de pessoas autistas, e remotamente. Na Espanha, o recrutamento foi realizado exclusivamente a distância, com o apoio de professores locais e mediante divulgação em redes sociais. A coleta de dados incluiu entrevistas em profundidade e registros em diário de campo, utilizando um roteiro semiestruturado como guia. As entrevistas no Brasil ocorreram entre janeiro de 2023 e março de 2025 e, na Espanha, entre julho de 2024 e março de 2025. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise temática de caráter indutivo, com o objetivo de identificar padrões recorrentes nas narrativas dos participantes e interpretar suas experiências à luz do referencial teórico adotado. Resultados: Participaram 19 cuidadores (10 brasileiros e nove espanhóis), majoritariamente mães. Os resultados foram organizados em duas sínteses narrativas. A primeira, “Quebrando o silêncio: as batalhas internas dos cuidadores na comunicação sobre sexualidade”, revela os legados de silêncio familiar, os traumas pessoais, a falta de conhecimento e as dificuldades específicas do autismo como barreiras emocionais e cognitivas à comunicação. A segunda, “Transitando entre fragilidades, improvisações e descobertas: experiências dos cuidadores na comunicação sobre sexualidade com filhos autistas”, evidencia o esforço dos cuidadores para lidar com dilemas cotidianos, temas evitados, estratégias improvisadas e carências de apoio institucional e formativo. A Teoria Bioecológica evidenciou que essa comunicação é influenciada por fatores pessoais, do microssistema/mesossistema (relações familiares), do exossistema (falta de apoio institucional) e do macrossistema (valores culturais sobre sexualidade e deficiência) e pelo tempo. Considerações finais: O estudo evidenciou que a sexualidade, embora reconhecida como parte do desenvolvimento humano, mantém-se permeada por silêncios, desconfortos, lacunas formativas e dilemas morais. Essas tensões, devemos ressaltar, intensificam-se no contexto do autismo, em razão das especificidades comunicacionais, cognitivas e sensoriais que desafiam os modelos neurotípicos de educação sexual.